Querido Iumi,
Esta manhã, sentada nas escadas que levam ao jardim das rosas, lembrei-me de ti. Passava um rapaz na rua de braço dado com uma menina de cabelos longos. Ele fazia bolinhas com o fumo do tabaco e ela olhava-o com uma ternura que parecia gritar ao mundo o quanto o amava. Ele sorria-lhe da mesma forma que tu sorrias para mim. Sabes, com aquele teu ar doce e aquele sorriso torto. Eles pareciam tão felizes, tal como nós fomos. O que nos aconteceu? Onde é que eu errei? Porque te perdeste de mim? Todas essas perguntas ainda me ocupam os pensamentos, ainda me ocupas o pensamento.
Com ternura,
Kate. 
Querido Iumi,
Esta noite, sonhei contigo. No meu sonho, vejo-nos aos dois. Estamos estendidos, um ao lado do outro, numa cama de casal. O quarto cheira bem, indaga a lilás e flores do campo. Não é um compartimento grande, apenas o tamanho certo para nós. Verifica-se a ausência de decoração, observando-se apenas um quadro com uma foto nossa afixado na parede junto à janela. A cor predominante é o branco e um amarelo suave. Tu estás a sorrir enquanto ouves uma música da qual desconheço o título. Eu estou sentada na secretária a escrever no caderno que me ofereceste no meu último aniversário. O chá de camomila arrefece lentamente entre os nossos batimentos cardíacos. Está quente, mas não o suficiente para nos despirmos já. Esperamos um pouco, talvez de mais. De repente, cai a noite sobre nós, tens de ir embora. Despeço-me por entre beijos e esperança. Prometes que me voltarás a visitar e eu juro que vou esperar todas as noites por ti. Deixarei a porta aberta e estarei sentada na cama com um chá para mim e um café frio para ti. Infelizmente, tu nunca mais voltaste e eu enchi a chávena com lágrimas a cada noite de espera. Até que por fim, acordei. Abri de leve o olho e não te vi ao meu lado. Não chorei, nem tão-pouco me mexi. Apenas gritei o teu nome por entre o silêncio da tua ausência. Ainda te amo, mas já não te espero.
Com carinho,
Kate.